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Silagem de Milho – Principais cuidados na colheita

18 Agosto

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A silagem de milho é conhecida por ser um alimento de alto padrão para ser oferecido para as vacas de leite. A silagem pode, de fato, ser um alimento de alta qualidade, mas dependendo do manejo de ensilagem pode ser prejudicial aos animais. Só se conhece de fato a qualidade da silagem pelo laudo de análise laboratorial e pelo desempenho das vacas. Existem diversos parâmetros que são importantes para determinar a qualidade das silagens, como o teor de matéria seca, tamanho do picado, quantidade de grãos e o grau de moagem dos grãos.

Primeiramente, é preciso entender que a silagem de milho não é considerada 100% volumoso, pois possui uma quantidade significativa de grãos em sua composição. Uma silagem de milho de boa qualidade possui em média 30-40% de grãos na matéria seca (MS). Sabe-se que geralmente 50% do valor energético de uma silagem bem feita é proveniente do amido que está no grão de milho.

Diversos fatores podem afetar o aproveitamento dos grãos na silagem, mas principalmente o estágio de maturidade do milho no momento da colheita, o tamanho das partículas da silagem e o grau de processamento dos grãos. Via de regra, quanto mais maduro está o milho no momento da colheita, pior é o aproveitamento dos grãos. O mesmo vale para o tamanho do picado, de maneira geral, quanto maiores às partículas e quanto menos processados forem os grãos, menor será o aproveitamento do alimento pelas vacas.

Em geral, o ponto ideal de colheita do milho se dá quando os grãos atingem o estádio de farináceo-duro, ou 50% da linha do leite, e a planta com teores de MS variando entre 32% e 38%, dependendo do ciclo do híbrido.

No ponto de grão leitoso, o potencial de produção de grãos é de apenas 50%, ou seja, somente metade dos grãos que seriam produzidos na lavoura de milho serão colhidos na ensilagem. Portanto, o produtor que fez investimentos em uma lavoura de milho, estará colhendo mais forragem do que grãos, resultando numa silagem de menor qualidade e de baixa energia.

Normalmente a colheita do milho é feita com ensiladeira, com rendimento médio de 10 toneladas por hora. O maquinário deve estar regulado e as facas bem afiadas, para realizar corte homogêneo da planta, com partículas no tamanho entre 6 a 10mm.

O tamanho das partículas da silagem tem relação com o teor de fibra do alimento, que é a propriedade da silagem responsável pelo estímulo à mastigação. Para que o ambiente ruminal mantenha-se saudável, em boas condições para o desenvolvimento adequado dos microrganismos responsáveis pela digestão da fibra, as vacas precisam ruminar para produzir bastante saliva, que contem componentes essenciais para manter o pH do rumem em níveis adequados. Dessa forma, é importante que a dieta das vacas contenha bons teores de fibra, mas sem exagero.         Quanto maior o tamanho do picado da silagem, maior seu teor de fibra, o que é interessante para estimular a mastigação. Entretanto, o excesso de fibra pode limitar o consumo de alimento, pois enche o rumem e o animal sente-se satisfeito e não se alimenta mais, o que irá refletir na queda da produção de leite.

Com relação ao processamento dos grãos no momento da ensilagem, é desejável que o processo de colheita e conservação do milho promova alguma quebra nos grãos, para melhorar o seu aproveitamento pelos animais. Quando o animal consome o grão de milho inteiro ele não consegue aproveitar 100% pois há uma camada que protege o grão que dificulta a ação das bactérias do rumem, pode-se observar este efeito no esterco dos animais, quando oferecemos o grão de milho inteiro, as bactérias consomem apenas a parte interna e o animal acaba eliminando a casca do milho.

Diversos estudos demonstram que o fator que mais prejudica a qualidade das silagens é o grau de maturidade da planta no momento da colheita. Silagens com altos teores de palhada, caule e sabugo reduzem significativamente o desempenho das vacas, pois apresentam menor digestibilidade e também afeta a fermentação do alimento no silo, contribuindo para aumentar as perdas e trazer prejuízos ao produtor.

A compactação do silo tem por objetivo retirar a máxima quantidade de oxigênio presente na massa ensilada e com isso melhorar a fermentação e a qualidade da silagem. A formação de um ambiente anaeróbio (sem oxigênio) irá promover o desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido, principalmente ácido lático, que conservam a silagem.

A compactação normalmente é feita com tratores, que passam diversas vezes sobre a forragem, até que essa se torne suficientemente “socada”. O pneu do trator deve estar limpo, sem terra ou esterco, para evitar contaminação da silagem.

Pequenas propriedades podem fazer a compactação da forragem com os pés, caminhando-se sobre o silo e socando a forragem. Recomenda-se que as camadas de forragem do silo não sejam grossas, para evitar a formação de camadas de ar.

O tempo entre o enchimento e o fechamento do silo deve ser o mais rápido possível, preferencialmente fechando o silo no mesmo dia. 

Para fechar o silo, deve-se usar lona plástica de boa qualidade, sem furos, e sempre cobrir com terra ou palha. No momento do fechamento deve-se retirar todo o ar que está sob a lona. Toda borda da lona deve ser enterrada para impedir a entrada de ar ou de água no silo. Deve-se isolar a área para evitar a entrada de animais e pessoas que podem danificar a lona.

Quando a produção e uso das silagens são pequenos, pode-se considerar alternativas de produção da silagem que não os silos convencionais de trincheira ou superfície. Porém, vale lembrar que os cuidados em relação à picagem, compactação e vedação devem ser os mesmos.

Silagem em sacos plásticos é uma opção barata, podendo-se aproveitar sacos de adubo desde que bem lavados e sem furos. A compactação é feita com os pés ou bastões, e a vedação amarrando-se a boca do saco. Silagem em tambores também é uma forma de aproveitamento de materiais disponíveis na propriedade, é muito prático, pois permite movimentação conforme local de uso, a vedação é facilitada pela tampa dos tambores que forma evita a entrada de ar.

Como para qualquer outro alimento, investir na qualidade da silagem de milho é um esforço que sempre será recompensado, pois será refletido na melhoria do desempenho das vacas.

Taíse M. Maldaner Schlieck – Zootecnista.

Karen D. Brustolin Golin – Eng. Agrônoma.

Fonte:


Palavras-chave: Silagem , milho , produtor

Comentários

Edinei da Silva

boa noite quero saber se ,todos os montes de silagem tem que ser coberto de terra por sima da lona. ou se tem um metodo mais facil e seguro

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